100 anos do Parque do Ibirapuera, o que encontraremos nele?







OPINIÃO Daniel Caballero


Você consegue imaginar como era a cidade de São Paulo há 35 anos? Caso tenha vivido lá atrás é um pouco mais fácil, pode-se contar com a memória, embora obviamente muita coisa tenha mudado.
Em 1984 ainda tínhamos ditadura militar e o prefeito era o Mario Covas, mas em 1985 com a volta das urnas, Jânio Quadros foi eleito o novo prefeito da cidade. Uma nova direção de como administrar São Paulo foi definida com Luiza Erundina na eleição seguinte em 1988. Novo pleito, nova alternância do poder e elegemos Paulo Maluf em 1992, para depois insistirmos com seu indicado Celso Pitta em 1996. Mudamos novamente de ideia, as urnas colocaram Marta Suplicy em 2000 para o papel de prefeita da cidade. Depois mais uma alternância com José Serra em 2004, que exerceu pouco mais que um ano para concorrer a presidência, abrindo espaço para o Gilberto Kassab em 2006. E assim alternando continuamente diferentes pontos de vista, a lista segue. Em 2012 elegemos o Fernando Haddad, e em 2016 elegemos o João Doria, que ficou um ano e 95 dias, deixando a prefeitura, para se tornar governador do estado. E assim indo de um lado para outro, chegamos ao prefeito atual Bruno Covas, que tomou posse em  2018.
Cada um desses prefeitos trabalhou a cidade de uma forma, com seu estilo pessoal,  acompanhando as circunstâncias da época de seu respectivo mandato, uma cidade com demandas diferentes ao longo do tempo e que, podemos facilmente concluir, mudaram muito nesses últimos 35 anos.
Podemos usar o que aconteceu nessa linha de tempo para pensar o caso do Parque do Ibirapuera, e de outros parques que estão sendo concessionados, e que agora passarão a ser  administrados por uma empresa privada pelos próximos 35 anos.
Uma única empresa vai gerenciar o parque por todo esse tempo, sem termos a contribuição dos diferentes pontos de vista que as eleições nos dão de 4 em 4 anos.
Com a licitação, já realizada, a Prefeitura, foi obrigada pela Justiça a produzir um Plano Diretor antes da assinatura do contrato. Tal Plano Diretor tem sido motivo de controvérsias,  pela forma como foi conduzida sua elaboração, num período de tempo extremamente curto, insuficiente para devidos procedimentos técnicos que são padrão para este tipo de documento e sem a real possibilidade de participação dos usuários do parque e da população.
Ainda, de forma bem resumida, todo o debate do  Plano  Diretor foi realizado apenas no mês de Agosto!
Por que tanta pressa para celebrar um compromisso que deve perdurar por tanto tempo?
Como saberemos de que forma o parque vai ser conduzido pelos próximos 35 anos, respeitando as regras acordadas, se estas não estão claras para a própria concessionária?   
Se a população não conhece a empresa concessionária,  e portanto não sabe como ela pensa e o que propõe, pode até ser uma falha de comunicação, mas de uma coisa temos certeza, este Plano Diretor não foi feito dentro de critérios satisfatórios, ouvindo os diversos agentes  técnicos, usuários do parque, e a população em geral.
Quem vai estar daqui a 35 anos para saber o que aconteceu com o Parque? Certamente não será o mesmo prefeito, e possivelmente muitos de nós nem estaremos mais presentes no cotidiano do Ibirapuera.
Então cabe perguntar o que queremos desse parque tão especial para a cidade de São Paulo. Certamente queremos saber para onde vai se desenvolver e se continuará acompanhando as mudanças da cidade, atendendo as demandas do cidadão paulistano. Afinal, foi para todos que ele foi feito a  65 anos atrás, e nós do Fórum Verde Permanente de Parques, Praças e Áreas Verdes, um movimento da sociedade civil,  forjado no calor desse debate, queremos garantir que continue usufruto do povo paulistano quando, daqui a 35 anos, celebrarmos seu centenário. Dependendo do ponto de vista 100 anos podem passar rápido, mas nesse período muita coisa acontece, a sociedade muda, e o planeta, inclusive, não é o mesmo de um século atrás. 
Mas voltando para nossa escala e o microcosmo do parque, parece que foi ontem que muitos de nós apreendemos a andar de bicicleta ou ver uma bienal de arte, conhecer alguém correndo ou contemplando o lago. O Parque do Ibirapuera afeta uma cidade que costuma se gabar da velocidade com que as coisas passam. Não seria prudente pensarmos no futuro? Com calma, com o cuidado que ele merece… afinal, o parque também será parte do nosso futuro.
Por isso ajude-se, ajude-nos, informe-se, e atue pelo Parque do Ibirapuera, para buscarmos juntos um modelo de futuro que sirva para todos.


Os textos publicados refletem a opinião do autor e não necessariamente o posicionamento do Fórum Verde Permanente de Parques, Praças e Áreas Verdes.

Comentários

  1. Ótimo texto! Parece mesmo que a calma e o cuidado que o parque merece estão em falta! Pelo adiamento já do processo de concessão do nosso Ibira!!

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  2. Acho que deveria haver uma regra inquebrável que exigisse que aquele que tiver interesse num cargo, como a Prefeitura, Governo, fosse proibido de abandoná-lo para tentar outra posição! Quer sair, sai. Assume o vice. Mas não pode tentar outro logo em seguida!
    Agora! Falando só do Ibirapuera, lá dentro há alguns prédios/pavilhões. Um deles já foi, inclusive, usado pela Prefeitura. E hoje?! O que poderiam abrigar?! Para isso, não há possibilidade de um consórcio de empresas que se unissem para a recuperação de alguns destes imóveis que precisam de recuperação urgente, para não caírem?! E abrigar projetos importantes, lá dentro?!

    Para o parque estar como está, o abandono começou há muito tempo. Qual foi a prefeitura que cuidou, de fato, se alguns dos quadros são reticentes?! Não é de agora!

    Agora, vemos reflexos de líderes mimados, que não fazem questão de construir, e parecem não se importar com o que a população quer. É meio: f-se a população!

    E estamos ainda discutindo sobre o Ibirapuera, pq é um parque comum à todos! E os demais, mais distantes?! Como estão?! Como ficarão?! Serão palco e motivo de mais lavagem de $?!

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  3. Ola Daniel. Boa pergunta a dos 35 anos. Parece fundamental num pais q nao consegue antecipar os passos da politica nem em seis meses! Em 35 anos quais das agremiacoes politicas teve visao de futuro e ainda esta ai sem cirurgia plastica q muda nomes dos partidos e q permite migrar de um p outro c a maior normalidade? 35 anos foi a primeira Assuapi de qual fiz parte. Quantos absurdos vimos e como era facil tomar contato do espaco: bastava irritar os outros (q causavam polemica positiva) e eles n voltavam mais deixando caminho livre...
    Repare q a nossa ditadura foi de 64 ao posse do Tanctedo. Bem menos q os 35 anos.
    Outra pergunta: o q podem fazer futuros prefeitos bem intencionados ao se deparar c situacoes engessadas? Livrar se de bens publicos por tanto tempo exige regras de seguranca absoluta protegendo o cidadao/usuario. Elas n existem atualmente pq criaram o panico a bordo: parecem incentivar este panico, em todos os niveis e gritam: fogo a bordo! Desculpem, foi sem querer. Tristemente lembrei de outros fogos atualmente.
    Este clima de panico teve consequencias diretas nas eleicoes passadas e tera nas futuras.
    O q fazer? Aceitar o dialogo/debate sem apontar o outro de vilao.
    No caso da Chacara do Joquei nada foi construido. Apenas trocaram de maos: tiraram do Jockey e a Prefeitura aceitou, assinou e decretou. Pode um novo prefeito devolver a gestao privada sem por em questionamento todo o processo anterior q resultou em Parque Ambiental Sustentavel sob responsabilidade da SVMA! E nao dividido entre secretarias.
    No caso do Ibir e o contrario: o lazer gratuito em SP se concentrou nele. A questao e outra e vale p demais eleitos: alguem e eleito p adm a cidade e nao p abrir mao de seus bens imateriais.
    Pode recorrer as concessoes sem um amplo debate anterior? Os caminhos da democracia favorecem o dialogo. Como negar o dialogo e aquilo q faz parte de nossa realidade: criar fatos consumados. Ate vir o fruto do dialogo os estragos sao feitos!
    Mas desistir e entregar mais facilmente ainda.
    Entao vamos questionar!
    Teo

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  4. Desculpem alguns erros de digitacao como " tomar conta do espaco" e nao "contato". E possivel outros involuntarios.
    Coloco outro ponto em destaque: o lazer q inclui o direito de nao fazer nada alem de observar. Num sistema politico baseado no sobreviver, o lazer n e a preocupacao imediata. Ah como e bom flanar, andar num meio verde sem medo, tranquilamente. Todo bairro tem q ter seu Espaco Verde acolhedor, convidativo. Quando n e assim surge a destruicao, negligencia e abandono. Q custam bem caro em consequencias.

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